Sou o espelho que em mim vejo onde me olho e não me revejo, sei que estou só não sei onde, se me procuro tudo me esconde.
O que fazer se tudo já se fez? Como voltar atrás só dessa vez? Já não tem mais jeito tudo está feito, respiro o ar cada vez mais rarefeito.
Bem que tudo podia ser diferente, tudo que passou poderia vir à frente, não retornar ao passado simplesmente, mas mergulhar de novo em minha mente.
Eu só queria o que sempre quis para ser compreendido mesmo que isso me custasse fazer tudo não pretendido, e o que pretendo pode não ser o que eu sempre quis fazer, mas, certamente, será o que farei mesmo sem sentir prazer.
E, sinceramente, este espelho pode não refletir minha cara de uma forma clara, mas o reflexo é tudo o que eu vejo dentro de mim neste momento, nessa rara, ocasião em que eu posso me olhar claramente, sem disfarce e ver minha sombra, sem omitir de mim a verdade, muito menos o que se passa nesta noite de penumbra,
Em que me encontro solitário ouvindo o som que vem da rua, muitos barulhos se entrelaçam e se perdem ao lado da luz da lua, que brilha imensamente em meu olhar refletido como o mar, como a debulhar de dentro de mim algumas gotas num suave derramar.
No infinito, a luz das estrelas salgadas pelas ondas dançam no fim da noite, saudosas e moribundas, esperando o amanhecer para neste momento de verão, ver o sol dos dias de inverno aquecer o meu coração.
O que sou, agora, já não consigo ver, sei o que gostaria simplesmente de fazer, pena que é tarde e o momento já passou, só me resta esperar o que de mim restou.
Esta é minha voz que já se cala, só me ficou essa pouca fala, tudo de mim já se partiu, pouco a pouco e ninguém viu.
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